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10 cousas aleatórias sobre mim (Malévola feelings)

>> sexta-feira, 30 de março de 2012


01. sempre curti um vilão;
02. meu personagem Disney favorito é Malévola;
03. eu adouro Salem;
04. meu amigo Maicon se chocava comigo por causa disso, não admitia como que eu amava vilões;
05. mas prest'atenção, são vilões fictícios, que são muito mais interessantes que vilões da vida real, tipo político  bandido, policial corrupto, troll de internê;
06. eu tenho culpa se o Heathcliff é o máximo? pois é;
07. mas eu devo confessar que eu costumava dar risada de quem caía na rua (incluindo iô);
08. na verdade ainda rio um pouco;
09. especialmente de gente que acha bonito ser vilão da vida real;
10. ah como eu me divirto às custas de gente u-ó que tropeça e se esborracha, tanto pelo tropeço, ipsi literis, tanto o tropeço metafórico.

Inté.

Imagem: a Mulher Gato mais incrível de todos os tempos.

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Red Carpet Oscar 2012

>> segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012


E lá vamos nós para mais um post cheio das imagens vestidísticas de mais um Oscar. Há quem jure de pé junto que não aguenta mais, porque basta qualquer evento do tipo tapete vermelho que (quase) todos os blogs que versam ~de alguma maneira~ o tema modinha/estilinho colocam no ar (quase) a mesma coisa. E a chatice, vai bem?

O certo é que a gente gosta de se encantar, de coisa linda, vestido de sonho, faz de conta, porque um dia (ou ainda) todo mundo já chorou com a parada de fim de dia da Disney. Portanto, por tudo que é mais sagrado, se aquietem e vão chupar limão pra lá.

A primeira emoção forte, talvez a única e verdadeira emoção (ao menos pra mim), em termos de red carpet foi a lindalindalinda Milla Jovovich. Escondam todos os zoombies - estou brincando por causa do Resident Evil, série de filmes de zoombies, baseado no jogo homônimo, cuja estrela é a linda Jovovich. Sinto-me na obrigação de explicar porque né, tem gente que não conhece Gary Oldman.


Ela estava que era um deslumbre, um arraso, nesse sereia branco bling-bling Elie Saab. E sexy como sexy tem que ser para ficar lindo, elegante e não vulgar.


Em seguida, no meu gostinho, me derreti bonito por Gwyneth Paltrow, que estava chic num vestido branco Tom Ford e com capinha. Amei a capinha. Achei elegante, um toquinho classy, sabe como? Cousas de Gwyneth.

Dai veio a aparição da Rooney Mara, a fofa que dá vida à Salander versão americana do Millenium. Vocês sabem que eu implico com a adaptação americana, né? Bem, eu já implico com a sueca, imagina o desmantelo. Para mim essa moça faz um super esforço pra ser a Salander toda-hora-o-tempo-todo e me dá preguiça. Mas, ela me fez feliz com seu Givenchy branco. Adendo: aliás, achei que dessa vez o red carpet foi dos vestidos brancos.



Um vestido complicado. Todo vestido Givenchy by Tsici é complicado. Há de se ter um certo porte, uma certa estranheza, digamos assim. Reclamaram da falta de busto. Olha, é só prestar atenção nas criações do Tisci, ele cria modelagens, ao menos pra passarela, pra que fique bem em mulheres com pouco busto. O caso da Rooney Mara, que mais parecia uma modelo daquelas bem andróginas. Por fim, gostei.

Pra fechar, eu fiquei bem feliz por ver um McQueen desfilando no red carpet no corpinho de Jessica Chastain.



Bisous.

Imagens: JustJared.

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Precisamos falar sobre Kevin. Mesmo?

>> quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012


Agradeço por ter adquirido o hábito de nuncanunquinha me informar de nada acerca de livros e filmes que realmente precisam ser entendidos. Um caso típico de obra que precisa ser entendida é justamente 'Precisamos falar sobre Kevin'. Não pela profundeza, longe disso, mas pelo o que realmente é, portanto, o que não é.

A capa, um menino com cabeça de gato maquiavélico, cínico, dissimulado, perverso fala pela trama: uma caricatura. Porque desculpa, associar felinos ao maquiavélico, cínico, dissimulado, perverso é um clichê sem tamanho. 

De pronto super me incomodou o oba-oba acerca do livro. Como de costume. Dai fui evitando ler qualquer coisa sobre o livro e fui descobir do que se tratava a conversa sobre Kevin (que existe apenas num plano metafórico de cartas a um defunto) e confirmar que meu abuso de novo era justificado. É um livro para o gosto dos impressionáveis, de um público que cada vez mais (ou desde sempre) flerta com caricaturas criadas a partir da suposta desconstrução de símbolos: na obra o mito da mãe que nunca quis ser mãe e da criança que não é boa. Sim, tem lá a coisa do "tema que ninguém quis tratar", dos adolescentes psicopatas e chacinas em escolas americanas. Só que já foi tratado sim, de forma menos literal. Um exemplo peculiar é 'Carry, A Estranha' de Stephen King, brilhantemente adaptado por Brian De Palma. De outra forma, de outra leitura,  falando sobre jovens psicóticos, com uma abordagem mais difícil e mais artística, Laranja Mecânca de Anthony Burgess, adaptado para o cinema pelo maravilhoso, genial e verdadeiramente perverso Kubrick.

Só que né, infelizmente, faz tempo que o campo é fértil para o óbvio. Porque pra fazer bruburinho tem que ser ser um menino 'estranhozinho', notoriamente 'diabóliquinho', que manipula a todos em fraldas sujas, envolvendo uma figura de mãe irresponsável, permissiva e fria até o clímax da história, a chacina que começa em casa e termina na escola. Baseado, aliás, num livro de sua infância, Robin Wood.

A coisa do enredo desposto em cartas é recurso antigo para manter o leitor no clima de voyerismo. Eu mesma compro muitos livros de correspondências de autores queridos, porque é bom xeretar na vida alheia - vide a camisa "Big Brother" em letras vermelhas que Kevin usa ao receber a irmãzinha recém nascida no filme (que é hábito americano, mas nos remete direto ao 1984, não tem como,  recurso funcional, porém de base fraquinha, que nem alface da xepa). E como tem vermelho no filme. E tomates vermelhas. O nome poderia ser Tomates Assassinas, se já não houvesse filme com tal epíteto (aquele filme fantástico com o Clooney). Aliás o vermelho é quase que um outro personagem da história: tomates, pelúcias os ataques à casa de Eva, mãe de Kevin, assinalando suas mãos manchadas de sangue pela omissão, pela falha enquanto mãe, oh céus, blablabla. 

No filme a coisa do óbvio não foi bem resolvida e nem teria como, pois a história é óbvia e clichê. Contudo, a disposição do enredo, doutra feita que não uma narrativa em carta, mas sim em flashes, dá outro ritmo à trama, um ritmo cinematográfico, que ajuda a história a se sobrepor a coisa do livro teoricamente sem clichês, que na verdade é só isso.  

Entendam, Kevin não é um assassino ficcional mais complexo por conta de sua aparente delicadeza, boniteza, por suas roupas lânguidas, quase poeris, porque não é rejeitado, nem marginalizado, tampouco excluído. Ora, esse é o perfil da maioria dos psicopatas, inclusive o ficcional Hannibal Lecter. E Eva? O que pensar de Eva banhada de tomates (ou esmurrada, xingada, perseguida, que não tem direito a um omelete decente), metáfora pobre do que viria a merecer a tal da mãe que não quer ser mãe?

O brinde de literariedade da obra ficou por conta da coisa Robin Wood, definitivamente inverossímil. O que é um alento, porque literatura não deve nada à realidade. As musas das artes agradecerão em cânticos no dia em que entenderem isso, coisa difícil, em tempos que professor leva livrinho de auto-ajuda em aula de literatura para ser apreciado como "literatura" em sala de aula.

Boa sopa de tomate para todos.

Inté.

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Esmalte verde

>> sábado, 28 de janeiro de 2012


A primeira vez que pintei as unhas de verde tinha uns 14 anos, um vidrinho de verde bandeira me chamou a atenção no sacro-santo armarinho do bairro, de uma coleção da Copa passada. Comprei, usei umas duas vezes e esqueci numa gaveta. Passei anos sem usar verde.

Dai, já bem madurinha nessa vida, na inscrição do vestibular, pintei as unhas de verde. Mas era um verde tipo O Máscara, sabe como? Pois é, foi sucesso, porque todo mundo na danada da fila lá na CCV da Universidade Federal do Ceará não resistia em dar uma olhada para a figura estranha de macacão bege e unhas verdes loucura. Nem vou mentir que isso intimida e incomoda, porque afinal de contas são apenas unhas pintadas de uma cor diferente, mas né, fingi não ligar. Só que liguei e passei um bom tempo sem usar verde. 

Nos últimos anos até usei uns verdinhos, coisa boba, pastel, pistache, verde água, porque afinal de contas estamos na época vômito arco-íris do unicórnio, porque todo mundo é ousado e doido e usa unha azul, verde, roxo, furta-cor, 3d avatar, coisa de louco. 

Dai que essa semana olhei pro verde sincero escuríssimo da Natthy, ele olhou pra mim, sem rótulo coitado, velho, porém pouco usado e cá estou eu de unhas verdes, um verde bem escuro, floresta da Tijuca, algo que o valha.

Fui aos correios ver se já podia retirar a bendita encomenda que deu problemas (Correios, eu te odeio de verdade) e lá estavam as pessoas olhando para minhas unhas. Minha gente, e o unicórnio?

Vamos acompanhar o progresso.

Imagem: Feita por mim com uma Sony Cyber-Shot DSC-W530.

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SPFW - já encheu o saco

>> sexta-feira, 20 de janeiro de 2012


Desde que comecei com este bloguito que sempre deixo vossas mercês informados do que acontece nas duas semanas de moda mais famosinhas do país, Fashion Rio e SPFW. Mas óbvio que a gente não fala apenas desses dois momentos da nossa moda, que né, o país é grande e suas criações se fazem presentes, vivas e latentes (às vezes patente, é verdade) em todos os lugares, pode crer que sim. Porque pasmem, o Acre não só existe como é civilizado, com lindas cabeças pensantes, porque sim, o Nordeste não é só das rendas e o Sul não é só das bombachas.

Já toquei no assunto chatinhochatinho do bairrismo, no aspecto Rio-SP, mas vamos nós de novo, que o buraquinho de traça na saia da fia é mais embaixo.

Acompanho as semanas de moda via internet e via televisão paga, vocês decerto sabem os canais.

Ai Eliza, quer dizer que você não é blogueira convidada com credencial, etcetera coisa e tal?

Não, eu não sou não. Primeiro porque não sou blogueira como vocês entendem, porque eu não vivo disso, não ganho um centavo com nada do blog (certo que recebo uns presentinhos das marcas, mas recebo como agrado pessoal e não mostro, não divulgo que né, acho bobo) escrever pra mim é um hobby, porque amo escrever, amo moda e amo pensar e escrever sobre moda. E me desculpem todas as lindas (e as não lindas, na minha perspectiva) que fazem bloguinho de estilo, porque eu não tenho paciência. Isso é muita subjetividade.

Não, eu não sou jornalista nem algo que o valha, como e pra quê diabos eu teria uma credencial para entrar como profissional da área numa fashion week da vida? Quem precisa de mais uma Stylist-DJ-bem-nascida? Porque parece que todo mundo é Stylist-DJ-bem-nascida.

Mas sim, eu recebo convitinhos fofos de marcas que gostam de mim, acho que mais como consumidora, porque né, nesse bloguito só rola Europa, grosso modo. Pode me chamar de encantada, oui tout ça m'enchante c'est pour moi la belle vie.

Mas eu não vou, porque o meu trabalho de verdade é outro, apesar de continuar encarando as semanas de moda como acontecimento cultural, hoje já penso que o lugar deve ser para quem realmente tem sumo para digressoar e que ganhem o pão desta feita. São pouquíssimos, mas existem. Adendo: fora que o Píer Mauá é na baixa da égua e não teria lugar para deixar o meu carrinho.

Ah, quer dizer que ninguém te convida pra Bienal/SPFW ?

Minha gente, melhore.

Desde quando São Paulo Fashion Week, ex- Phytoervas Fashion (oi, nome de shampoo) é Paris Haute Couture?

Não entenda mal, existem vários nomes que desfilam no SPFW que estão no coração (e no armário da gente), mas é que já encheu o saco essa coisa de super valorização do discurso do mesmo. A moda brasileira é paulista, a moda autoral com informação é paulista, o Rio faz modinha, moda praia, desfila vestidinho chatinho e o Acre não existe e o Nordeste faz rendinha. 

Então explica Lino Villaventura, que sim, desfila no SPFW, mas vejam bem, é por pura estratégia. Uma estratégia que vem minando e criando uma cara de modinha para o Rio de Janeiro e agora querendo enfiar goela abaixo de todos que o Rio faz modinha porque o Rio só é capaz de fazer modinha. Foi mais ou menos isso que ouvi de um dos nomes mais respeitados dos tais que pensam moda/modinha desse Brasil varonil. Desculpa, mas Oskar Metsavaht, que todo mundo tanto ama (eu não) é gaúcho e sua formação e grife Osklen são super cariocas. Fora André Lima paraense, a grife Maria Bonita, que é mega carioca. Precisa citar o lindo Villaventura de novo, híbrido de Pará e Ceará dos penachos loucos? Pois é.

Que tal respeitar o país como um todo para almejar representar quelque chose (qualquer coisa)? Obrigada.

Não entendo tamanha pataquada. Pra quê?

Porque sim, o Rio pode fazer modinha, mas São Paulo não é diferente, é modinha também e nessa temporada sem Ronaldo Fraga e sem deixar os novos talentos apareceram, está ainda mais modinha.

Inté.

Imagem: obra do grande Candido Portinari, que super acho que tem a ver com os escritos, porque né, a Moda Brasileira ainda será, por muito tempo, uma erê boba.

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Confissões de uma louca (por esmaltes)

>> quarta-feira, 11 de janeiro de 2012


Hoje quebraremos a rotina de uma postagem por dia. Tudo bem que houve época de entrar dez posts no ar aqui neste bloguito, coisa que eu sei eu sei, era pura loucura e desespero verborrágico (apesar de que eram mais 'ibagens' - Datena feelings). Mas hoje tem-que-ter mais de um post, senão o seguinte ficará (ainda mais) gigantesco e não estou mais tão afim de postagens quilométricas que só vinte leitores lerão.

Faz tempo, mais de um ano, que postei pela última vez a tal da minha coleção de esmaltes, que se trata de uma bestagem, obviamente, mas que tentei remediar dando dicas de onde comprar, quais as vantagens de cada marca, as cores mais queridas, etcetera coisa e tal. Tudo bem, continuou sendo uma besteira sem fim. Mas é legal enfileirar aquele monte de vidrinho colorido, de formatos diferentes e tão fofinhos e tirar fotinhas com minha coleção Pinacoteca ao fundo. Adendo: Notaram o nível da doença?

Voltando.

Dai que leitores, amigos, gente fuxiquenta e querida vinha me pedindo, desde o último post dessa 'catchiguria', pra mode mostrar os adendos e pormenores da minha dileta e besta coleção de esmaltinhos. Só que né, eu vinha de um estado, que eu supunha, de abuso crônico dessa histeria que tomou conta da bloguelândia belezística no que concerne à manicure. Despejei tudo aqui, ganhei até link simpático da Oficina de Estilo, uma honra fuefa por assim dizer.

Mas o certo é que continuei comprando esmalte, não mais, acreditava eu, numa sangria desatada de ter todos os esmaltes que eu pudesse comprar.  Adendo: afecção nervosa detectada.

E notando que o bloguito vinha meio que triste em relação aos escritos sobre belezinha, maquiagens, vernis à ongles (esmalte em francês), para atender aos pedidos dos leitores fofos e é claro, o ímpeto do ego, fui me organizar para mais um post mostrando minhas aquisições de esmaltes que mostrei aqui e aqui.

Pois muito que bem, fui catar a maxi bolsa de praia de maçãs verdes da Rosa Chá, em que estou guardando os esmaltes desde que enlouqueci e joguei fora o gaveteiro (tosco) em que guardava o mundo alternativo, a tal da esmaltelândia que criei para mim. Adendo: bem doida.

Com ajuda de Kelly fui separar os esmaltes que já entraram no ar nos posts da coleção. Cada vidrinho que já não existia e cor descontinuada era um pequeno sofrimento sincero. Não era uma frescura, era um pesar de verdade. Medo. Apesar do meu estado mental afetado em relação aos esmaltes, conseguia perceber que naquele amontado de esmaltes haviam cores (várias) que não gostava, vidrinhos intactos (às dezenas), quer dizer.

Ao terminar a separação do joe do trigo, ou seja, dos antigos para as aquisições de um pouco mais de um ano, achei que comprei pouco e até fiquei meio triste, conjecturando a falta de esmaltes, ao invés de sentir alívio por ter me comportado feito alguém racional, que compra só o que dá conta de usar.

Ah, mas quando fui contar. O pouco se transformou em sessenta esmaltes. Isso mesmo querido leitor, seis dezenas de esmaltes em um ano. Você pode até pensar, bondosamente, que é pouquinho, coisa de cinco esmaltes por mês, acontece. Mas a verdade é que só comprei esmalte em janeiro e novembro do ano passado. Mas me digam que tipo de pessoa compra trinta esmaltes de uma levada e que não merece pinel? Né?

Decidi então separar todos os esmaltes que nunca usei, portanto não usaria mesmo, e dei uma parte para Kelly distribuir entre as amigas que piravam aqui com meus esmaltes, a outra parte dei para a moça que faz as unhas da sogrinha. Nem me perguntem de quantos me desapeguei, porque foi uma quantidade obscena. E ainda tenho esmaltes demais. O consolo da minha loucura é que, ao menos, todas cores que amo, então né.

Mas assumi o compromisso com minha sanidade mental de tentar não comprar mais esmaltes, mesmo que sejam lindoslindoslindos e que me chamem com vozes do além de silfos e ninfas dançarinas do vale.

Acho que devo perturbar vossas mercês com besteiras do nível de esmalte do dia, pra justificar o investimento e a pataquada.

Inté.

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Nono Círculo do Inferno

>> sexta-feira, 4 de novembro de 2011


A gente sempre se depara com umas asneiras por ai, que na maioria do tempo, a gente tenta ignorar, mas tem horas que simplesmente não dá né.

A última foi algo como um texto tentando amenizar a força destrutiva da inveja e tentando equiparar admiração e inveja, que são coisas absurdamente diferentes.

A tia Elizabete explica, vamos lá:

1. sua amiga tem um corpo garota de Ipanema, bunda e pernas definidas, barriga sem vestígios de gordurinhas e você queria muito ter a genética e força de vontade (e as vezes grana para o cirurgião plástico) para ter o corpo do mesmo jeito da sua amiga linda gata verão;

Adendo. isso não é inveja, no máximo é boicoice.

2. sua amiga passa em um concurso, em terceiro lugar por exemplo, e está super feliz , querendo compartilhar com todo mundo o que é uma vitória, mas você só consegue enxergar alguém cheia de si, que se gaba, que se acha e por quem você sente desprezo;

Alerta vermelho carne rubra Almodóvar: isso é inveja.

Inveja não é um sentimento pequeno, é um sentimento gigantesco, que se apropria da pessoa, domina, e a transforma em algo pequeno, reles, baixo, vil. De repente ninguém que tem uma unha mais comprida do que a sua presta.

Outro exemplo bobo para ilustrar é o não ter e odiar quem tem.

Repare no caso da unha comprida: há quem queira ter uma unha comprida, porque acha unha comprida bonita e só isso. Não consegue, se frustra um pouco, mas é apenas isso. E há quem olhe para uma unha comprida e só por isso deteste quem tenha, porque se não tem, ninguém pode, sabe como? Fora os poderes de, inté, conseguir quebrar a unha da fulaninha, o tal do olho ruim, que sim, existe. Especialmente para o próprio invejoso.

Apesar de ler muito Jung & cia, não sou psicóloga, mas me atrevo a afirmar que, ao menos metaforicamente, inveja é uma doença e sim mata. Mata o que a gente tem de mais importante, para quem acredita, é claro: a alma.

Imagine o quão sufocante deve ser a vida de alguém que se arrasta pelos covis de sua existência a sentir raiva dos pequenos ganhos e acertos da vida de outrem? Imagina a pessoa não se dar tempo para se reconhecer enquanto alguém que tem sim pequenos ou grandes ganhos e acertos? Pois é.

Porque todo mundo faz algo muito bem, porque todo mundo é lindo se procurar a beleza.
E, só para avisar, até na ruína há poesia, porque sempre que dou de cara com um invejoso (e como os encontro por ai) logo o vejo cercado pelo gelo do Nono Círculo do Inferno da Divina Comédia de Dante.

[...]
"Deixai toda a esperança, vós que entrais."
[...]
''É o mísero valor
daquelas almas tristes em seu choro
que foram sem infâmia e sem louvor''.[...]

Trechos da  Porta do Inferno, em que Dante e Virgílio se deparam com os escritos à beira do Aqueronte.

Imagem: Doll via Lolitas Blog.

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Que Abuso! - a bala de anis

>> quarta-feira, 26 de outubro de 2011


Faz tempo que estou com vontade de oficializar uma seção do bloguito para o "Que Abuso!" que sinto aqui e ali por certas cousas e atitudes das pessoinhas. Oficializar, porque né, sempre descarrego alguma coisa por aqui, nada oficial, geralmente num xoxo da meia-noite. Só que o xoxo é mais para desopilar, para tirar uma ondinha (sarro), porque oi, não sou de ferro. Já meu abuso é para ser abusado, sabe como? Pois é.

Dia das crianças comprei bala de goma, dentre outras gordices fuefas. Como sou boazinha, dei de presente para alguém bem ali, juntamente com uns cupcakes que eu mesma fiz, mais um punhado de guloseimas e no meio, obviamente, balas de goma. 

A pessoa nem é criança e nem tem crianças, filhos crescidinhos, mas acontece que para mim, a nossa criança nunca morre. Dai a pessoa que recebeu, ao invés de agradecer coisa e tal, pegou uma bala de goma azul, disse que era sua favorita, porque era de anis. E eu disse, para cortar conversa e ser simpática: ai é? que bom. 

Dai euzinha tenho que ouvir um colóquio que começa, invariavelmente, com: ah, você não sabia?

E ah como eu tenho abuso dessa introdução frasal e suas variações: ah você não sabia, ah você não tinha, ah você não conhecia. 

Resumo: a pessoa está te chamando de ignorante, igonota existência, burra!

Eu odeio muito tudo isso.

Acho mal educado, deselegante, descortês, porque as pessoas não têm obrigação de saber de tudo e que mané bala de goma azul com sabor de sabão seria, a priori, de anis. Eu gosto é da amarela, que para mim tem sabor de amarelo bala de goma.

Todas as pessoas incríveis que conheci que fazem parte do grupo dos grandes professores da minha vida, começando pelo meu pai, gente rica de conhecimento, seja acadêmico ou de vida, me passaram a mensagem de que o conhecimento é libertador, em todos os seus aspectos, começando pela coisa do ego.

Porque é lindo saber das coisas, mas é tenebroso se achar acima dos outros por conta disso.

Inté.

Imagem: Editorial da Vogue Turquia, muuuita informação. 

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Moda brasileira, sua erê boba

>> quinta-feira, 1 de julho de 2010



Já falei alguma coisa por aqui sobre minhas dúvidas acerca dos motivos que fazem a moda carioca ser encarada em um segundo plano, ainda mais quando a gente sabe que, nem faz tanto tempo assim (até porque a moda brasileira é uma erê brincando de adulta) a moda carioca era reconhecida, estimada e até certo ponto vaguarda, perante uma SP convencional, para não dizer, europeia/francesa, mas tudo bem.

Depois de muito pesquisar, consultar meus alfarrábios sobre o assunto, especialmente a leitura de uma dissertação bem razoável sobre o tema e ainda, minhas anotações na "breve história da breve história da moda tupiniquim", anotações estas da aula que assistia como ouvinte do curso de estilismo e moda da UFC, então, depois disso tudo, que é pouco, mas já é alguma coisa, depois de alguns comentários bem elucidativos do pessoal de agora que inclusive faz a SPFW, de muitas maneiras, vamos dizer assim, cheguei à conclusão de que o Rio não é menosprezado, pelo menos não como eu pensava, mas de uma outra forma, que, para o bem e para o mal, existe. Mas não é deixado em segundo plano, de um certo ponto de vista, porque o cenário é lucrativo, e muito, e as pessoas precisam disso, de uma maneira ampla.

Esta nação de que a moda que vale à pena é SP, é uma imagem que vem sendo criada desde o Phitoervas Fashion (dai o Morumbi Fashion Brasil e dai o SPFW), arrematado pela Santa Marcelina, pelo SENAC SP e pela industria têxtil brasileira, que meio que apostou as fichas na terra da garoa, porque no idos de 1990 a coisa começou a ficar feia na terra da bossa nova. Falências, perca de divisas e a até então credibilidade no setor, fizeram as coisas mudarem de rumo.

Contudo, a moda carioca que, revolucionou os biquinis, a malharia, as estamparias, que criou o maldito, mas internacional fio dental (e a canga também né) o lifestyle carioca, já havia ganhado o mundo como a referencia maior do estilo brasileiro. No mercado internacional o que pesa e o que as pessoas lembram é da Carmen Miranda e a república das bananas, do beachwear, das legístimas havaianas e isto tudo é muito Rio. Por mais que, numa hegemonia, o mercado de luxo pensado e criado no Brasil venha de SP, é o Rio até hoje que puxa o imaginário da moda brasileira, é o que o 'gringo' quer ver e estamos falando de 50, 60 anos de imagens desta feita.

É muito irônico e me fez olhar diferente para o nosso cenário modístico, vendo engrenagens e um teatro de marionetes, que apresenta uma imagem que estão tentando construir, 'da moda brasileira para brasileiros', quando no exterior somos a mesma coisa carioca feelings a mais de meio século.

Dai, ao invés de ficar preocupada com um suposto boicote à moda carioca (que até existe mesmo) fiquei mais preocupada com o estado estanque das coisas. Ou seja, o buraco é bem mais embaixo.

Acho que mais do que relembrarmos o grupo Moda-Rio (que teve como objetivo melhorar o espaço de divulgação dos trabalhos dos criadores de moda do estado da Guanabara, mas por uma série de fatores até cresceu, até apareceu, mas render que é bom...), que era o que eu queria com a ideia inicial da postagem, é melhor tentar entender que, por trás do encantamento da feitura das coisas, da moda que expressa, do consumo que leva ao prazer, de fazer looks e achar lindo o desfile de fulaninho, era bom ao menos a gente tentar sorver direito como são feitas as coisas e o que querem que a gente entenda e compre. Aquela diferença entre ver e enxergar, sabe? Pois é.


Bisous.


Imagem: 'Morro do Rio' de Cândido Portinari, descendente de italianos, nascido em SP. Estudou, viveu e morreu no Rio, envenenado por suas próprias tintas, que o consagraram. Pensem sobre ;)

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