O vestido de noiva - antes nua que mal vestida

>> quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Uma vez ouvi de uma moça, prestes a se casar, que não estava muito preocupada com o vestido de noiva, julgava-o um elemento secundário, portanto sem maior importância e o deixaria para o final dos preparativos do matrimônio, optando por um modelo bonitinho de uma *"maison" mais barata, afinal de contas, só se usa uma vez, "pra quê gastar dinheiro com isso, né?"

*adendo: entenda-se "maison" como uma casa bem modesta de aluguel de roupas para festa, que usam tecidos pobres e trabalham com strass e costureiras caolhas. Falo com conhecimento de causa, porque já fui a muitas, na verdade morava no bairro com o maior índice destas em minha terra natal. Para quem é dos lados do Tio José de Alencar, Montese e Alberto Magno devem lhes dizer algo. Mas não s'enganem, porque para a eletista Aldeota & cia também são promissoras e tão ruins quanto as tais "maisons".

Bien, se você pensa como a moça que citei, não leia mais esta postagem, porque absolutamente haverá de interessar-lhe.

Cada um tem suas prioridades.

Mas, contudo, não obstante, todavia, se você é daquelas que vê o vestido de noiva quase que a essência do casamento, a metáfora deste, talvez algo aqui lhe sirva.

No adendo que fiz, descrevi um pouco como são feitos a esmagadora maioria dos vestidos de casas de aluguel. A escolha do tecido, da modelagem, do acabamento não é feita a contento, não recebe a delicadeza de trato que um vestido de noiva merece. Muitas vezes já muito usado, um segundo, terceiro, quarto alugueis, desgastado, remendado e completamente possuído de miasma alheio; sabe-se lá quem e pelo o quê passou quem o vestiu antes de você.
Sinto muito, sou supersticiosa. E lhes garanto, muitas vezes salvou minha vida.

Voltando... Um vestido usado que foi mal feito e você irá gastar com isso no mínimo quase o dobro de um salário mínimo?

Aí vem o tal do primeiro aluguel. Pode-se fazer um primeiro aluguel em uma casa dessas, mais em conta, mas que só será usado por você até então. Daí se aluga as luvas, véu, as bijouterias e o sapato, tudo do mesmo lugar.

Não pense você que algo assim a deixará com ares de princesa, porque não vai. Paracerá bem o que é, um arremedo de quelque chose.

Pois bem, todas estas coisinhas usadas, bijouterias de strass no dia do seu casamento e o vestido ainda será de uma qualidade infinitamente inferior ao que você merece. E preste atenção, algo assim e se gastando mais de R$ 1.000,00.

É se gastar demais para se ter o de menos.

Então, se procura um atelier, um nome que é dos mais cotados de sua cidade, para se ter certeza de qualidade, bom tecido, bom acabamento e algum ar de exclusividade.

Em um conceituadíssimo atelier que trabalha com a importação de Pronovias, San Patrick, aluguel e venda, para descrever o ambiente, elegância é bem a palavra.

O ajuste é perfeito, parece até que feito pra você, sendo que não o é. O modelo escolhido é ajustado no atelier, com mimos, etc, blá, blá. Mas saibam que, até em um lugar assim, com expressos, madelaine e prosecco, quando se aluga é uma coisa, quando se compra é a outra, c'est très different!

Faz-se uma matriz do vestido, com as medidas, daí vem de Madri o modelo escolhido em tecido puro. O que não acontece com um alugado, por exemplo um de seda, não é seda pura, mesmo sendo Pronovias, dum atelier ultra chique da Zona Sul Bossa da carioca.
Mórta...
Valor do primeiro aluguel: R$4.000,00 para alugar um vestido que é lindo, ficará perfeito, um sonho, mas não é de seda pura.

É meio exorbitante, mas ainda se terá um ar quase nobre.

Vale?
Para mim, ainda é pouco por muito.

Para um dos momentos mais especiais da vida de uma mulher, o tecido mais puro, faz você se vestir de um sonho, puro e muito seu, como é sua, sua vida.

Qual será a solução?

Continuar procurando e não deixar o vestido para os meados do casamento. O vestido deve ser desejado e querido, senão desde menina, mas a partir do instante em que se está noiva.

Com tempo hábil tudo é possível, inclusive fabricar sonhos.


-antes nua que mal vestida.


Bisous.

Imagem: acervo pessoal

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